Cirurgia Jornada Dr. Zamarian Resultados Depoimentos Blog Contato Falar com a equipe

Dentista pode fazer lipo de papada?

Dentista pode fazer lipo de papada? Entenda as regras no Brasil, a avaliação do pescoço, os limites da lipoaspiração e os cuidados na escolha do profissional.

Temas: Pescoço e papada

Ler o artigo ↓
Dentista pode fazer lipo de papada? Mulher observando o contorno do pescoço no espelho

Dentista pode fazer lipo de papada no Brasil?

Não considero seguro responder com um “sim” para qualquer dentista ou com um “não” absoluto. Há normas odontológicas que contemplam o procedimento para profissionais com habilitação específica, mas parte desse campo está em discussão judicial. Além de conferir a habilitação atual, eu faria outra pergunta: a lipoaspiração trata o que realmente está formando a sua papada?

O que dizem as normas sobre lipo de papada?

Na pesquisa para este artigo, em 30 de outubro de 2026, encontrei caminhos normativos diferentes. A Nota Técnica CRO-MG 001/2025 descreve a aspiração com cânulas como lipoplastia mecânica e a considera permitida ao especialista em Harmonização Orofacial, com base na Resolução CFO 198/2019. Essa nota é anterior aos desdobramentos judiciais de 2026. Por isso, não a apresento como resposta definitiva e isolada sobre a situação atual. [1]

A Resolução CFO 286/2026, por sua vez, inclui lipoaspiração cervical e facial nas competências da especialidade Cirurgia Estética Orofacial, a CEOF. O artigo 5º preserva competências anteriormente estabelecidas de outras especialidades odontológicas. Isso não permite concluir que todos os dentistas tenham a mesma formação, registro ou campo de atuação. [2]

A discussão judicial muda a resposta?

Ela exige cuidado. O CFO informou que o TRF1 decidiu pela anulação da Resolução 198/2019 e defende sua posição no processo. Depois, o CRO-RR informou que uma publicação do acórdão foi tornada sem efeito para que o documento fosse redigido pelo gabinete responsável pelo voto vencedor. Isso não significa que o mérito do julgamento tenha sido revertido. [3]

Ao consultar o andamento público do processo em 30 de outubro, observei intimações posteriores e embargos de declaração apresentados em outubro. Não deduzo, apenas da existência de recursos, que uma decisão esteja suspensa. Minha orientação é conferir a habilitação específica no CRO e as regras e decisões aplicáveis antes de contratar o atendimento. O processo descrito aqui trata da Resolução 198/2019, ligada à HOF; ele não define, por si só, a situação da Resolução 286/2026, ligada à CEOF. [4]

Por que a papada precisa ser examinada antes de escolher a técnica?

Uma pessoa pode apontar para o pescoço e dizer “quero tirar essa gordura”. Eu entendo o incômodo, mas não parto do princípio de que todo aquele volume seja gordura logo abaixo da pele. A aparência vista no espelho pode reunir componentes diferentes, e cada um pede uma avaliação.

O que está mais perto da pele

A gordura subcutânea fica abaixo da pele. Quando ela é o principal problema e a pele tem boa capacidade de acomodação, a lipoaspiração superficial pode fazer sentido. Já a pele frouxa não desaparece simplesmente porque se retirou gordura.

O que está em planos profundos

O platisma é um músculo fino do pescoço. Abaixo dele pode haver gordura que contribui para o volume. Músculos digástricos e glândulas submandibulares também podem influenciar o contorno. Não trato essas estruturas como se fossem todas a mesma coisa.

Na minha avaliação de deep neck, o tratamento profundo do pescoço, observo esses componentes, a flacidez e a relação com a mandíbula e o rosto. Uma fotografia ajuda a iniciar a conversa, mas não substitui o exame e a análise do histórico. Nem todo volume deve ser retirado, e nem toda pessoa precisa de cirurgia profunda.

Quando apenas a lipo de papada pode não resolver?

Se a maior contribuição vier da flacidez, de estruturas profundas ou da queda dos tecidos do rosto, aspirar somente a gordura superficial pode deixar a queixa principal sem tratamento. Esse é o ponto que mais me preocupa quando alguém chega com um procedimento já escolhido, antes de entender a causa do incômodo.

Na minha prática, encontro com frequência pacientes cuja necessidade vai além da lipoaspiração. Isso descreve o perfil das pessoas que me procuram, não uma estatística de toda a população. Também não significa que a lipo de papada seja sempre inadequada. Eu reconheço casos selecionados em que ela pode ser uma opção coerente.

Em muitos dos meus planejamentos, trato rosto e pescoço em conjunto. Ofereço tratamento isolado do pescoço quando a avaliação mostra que essa escolha é adequada, especialmente quando não existe flacidez facial relevante. Não prometo que uma operação menor entregará o resultado de uma abordagem mais ampla.

A pele pode ficar enrugada depois da lipo?

Essa é uma queixa que observo em parte das pessoas que me procuram depois de uma lipo de papada. Algumas relatam que o aspecto enrugado ficou mais perceptível cerca de 12 a 18 meses depois. É uma observação da minha experiência clínica; não é uma taxa medida nem uma previsão do que acontecerá com todos.

Para entender uma alteração dessas, preciso considerar a pele antes do procedimento, a quantidade e a distribuição da gordura retirada, a cicatrização e o envelhecimento. Não atribuo automaticamente toda ruga posterior a um erro técnico. O planejamento deve discutir a possibilidade de flacidez ou irregularidade, em vez de prometer que retirar mais gordura sempre melhorará o contorno.

Quais riscos merecem uma conversa clara?

A lipoaspiração envolve instrumentos sob a pele e pode causar sangramento, hematoma, infecção e irregularidades. Uma revisão científica sobre complicações da lipo submentoniana descreve eventos importantes e reforça a necessidade de reconhecer e tratar intercorrências. [5]

Não avaliaria a segurança apenas pelo tamanho da incisão. Um hematoma no pescoço pode exigir atendimento urgente. Aumento rápido do volume, dificuldade para respirar ou engolir após um procedimento precisam de avaliação imediata, sem esperar uma consulta de rotina.

O que eu perguntaria antes de decidir?

Eu pediria uma explicação sobre o diagnóstico, os limites do tratamento e as alternativas, inclusive não operar. Conferiria o registro profissional e a especialidade alegada: CRM e RQE para quem se apresenta como cirurgião plástico; CRO e habilitação específica no caso de dentista. Também perguntaria sobre experiência no procedimento proposto, ambiente, anestesia, recursos de emergência e acompanhamento.

Essas perguntas valem para qualquer profissional. Não considero correto afirmar que dentistas não estudam anatomia ou emergências. O que importa é se a formação, a habilitação e a estrutura correspondem ao atendimento que será realizado. Saber executar uma técnica não dispensa reconhecer quando outra abordagem ou outro profissional é necessário.

Se você quer entender o que está formando sua papada, posso fazer essa avaliação na consulta comigo. Meu compromisso é explicar o que pode ser tratado, o que precisa ser preservado e quais limites continuam existindo. A escolha do procedimento deve vir depois dessa conversa.

Este artigo também está disponível em inglês.

Fontes e responsabilidade editorial

  1. CRO-MG. Nota Técnica 001/2025, anterior à controvérsia judicial descrita. Base normativa: CFO 198/2019.
  2. CFO. Resolução 286/2026, artigos 4º e 5º.
  3. CFO. Posicionamento de 21/09/2026. CRO-RR. Notícia de 25/09/2026 sobre a publicação do acórdão. Posições institucionais devem ser distinguidas do teor das decisões.
  4. TRF1. Consulta pública, processo 1003948-83.2019.4.01.3400, consultado em 30/10/2026.
  5. Diniz e colaboradores. Complications associated with submental liposuction: a scoping review. Medicina Oral, Patología Oral y Cirugía Bucal. 2022;27:e257–e264. DOI: 10.4317/medoral.25122.

Fontes revisadas em 30 de outubro de 2026. A análise normativa refere-se ao Brasil e não substitui a conferência atual da situação individual.

Dr. Walter Zamarian Jr. — CRM-PR 17.388 | RQE 15.688.

Imagem ilustrativa; não representa paciente ou resultado cirúrgico.