Antes de operar
Explico a rede e mostro como ela participa do pós-operatório. Seu acompanhante também pode conhecer as orientações.
Um cuidado temporário nos primeiros dias, pensado para a adaptação dos tecidos.
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Imagem ilustrativa; não representa paciente ou resultado cirúrgico.
Em resumo
A rede hemostática é um conjunto temporário de suturas que atravessam a pele e a aproximam dos tecidos subjacentes após o lifting. Sua finalidade é reduzir o espaço onde sangue e líquidos podem se acumular e auxiliar a adaptação dos tecidos. Foi descrita por André Auersvald e colaboradores; não é fio de sustentação estético, não permanece no rosto e não elimina o risco de hematoma.
Fotos do pós-operatório imediato podem impressionar quando aparecem sem explicação. A rede tem um aspecto diferente das suturas junto à orelha, mas sua presença não significa que algo deu errado: ela pode fazer parte do planejamento desde o início.
Prefiro apresentar esse cuidado antes da cirurgia, explicar a finalidade e combinar a retirada. Assim, você e quem acompanha sua recuperação sabem o que esperar e não precisam interpretar cada ponto por conta própria.
Essa conversa também ajuda a separar a aparência temporária do pós-operatório daquilo que buscamos no resultado. Os fios visíveis não são a forma definitiva do seu rosto.
Durante o lifting, tecidos são mobilizados para permitir seu reposicionamento. Ao final, pode existir espaço entre planos operados. A rede aproxima essas superfícies por suturas distribuídas, procurando limitar locais de acúmulo e auxiliar a acomodação.
Não funciona como um dreno: o dreno permite saída e observação de líquidos; a rede atua na aproximação dos tecidos. Também não corresponde a fios absorvíveis colocados em consultório para tração estética.
O princípio foi apresentado no artigo brasileiro de 2012 por André Auersvald, Luiz Augusto Auersvald e Maria de Lourdes Pessole Biondo-Simões. Publicação original na RBCP.
O estudo de 2012 comparou 120 pacientes anteriores, sem a rede, com 246 pacientes posteriores que a receberam. Observou hematoma em 17 dos controles e nenhum no grupo com rede, nas primeiras 72 horas. A comparação era com um grupo histórico, sem sorteio entre tratamentos.
Em 2014, André Auersvald e Luiz A. Auersvald publicaram uma série ampliada: 525 pacientes ao todo, incluindo os mesmos 120 controles e 405 tratados com a rede. Novamente, não houve hematoma no grupo com rede durante o período observado. Artigo de 2014.
Os dois trabalhos fazem parte da evolução da mesma experiência. Não somo os grupos como se fossem duas amostras totalmente independentes. E “nenhum caso nessa série” não significa que o risco desapareça em qualquer cirurgia.
Na consulta, explico a função da rede, os retornos e os cuidados para que você saiba o que esperar em cada etapa.
Em 2025, Ismail e Ghoraba publicaram um ensaio randomizado com 160 mulheres submetidas a deep plane: 80 receberam rede e 80, dreno. Não encontraram diferença estatisticamente significativa em hematoma, seroma ou edema entre os grupos. Houve um hematoma abaixo do SMAS no grupo com rede, tratado cirurgicamente. Ensaio clínico.
Esse estudo não apaga a contribuição dos Auersvald. Ele ajuda a definir melhor o que podemos dizer: a rede é uma opção de manejo, mas não está demonstrado que sempre supere drenos ou evite qualquer sangramento.
Revisões posteriores reúnem experiências diferentes. Ao interpretá-las, considero desenho dos estudos, mudanças de técnica e possível sobreposição de pacientes. Para você, a informação útil é a razão de usar o recurso no seu caso, não uma promessa de “zero hematomas”.
Explico a rede e mostro como ela participa do pós-operatório. Seu acompanhante também pode conhecer as orientações.
A equipe acompanha tecidos, curativos e sinais de sangramento. A rede não substitui o exame.
Na rotina descrita na jornada, a retirada ocorre no dia seguinte à alta, com Amanda, que também é enfermeira, conforme a programação do caso.
Confirmamos a data e os cuidados antes de você sair do hospital. Não retire, corte, puxe ou ajuste os fios em casa. Se algo incomodar ou parecer diferente, avise a equipe para orientação.
Os pontos podem deixar marcas transitórias, e alterações de pigmentação foram descritas no trabalho original. A cicatrização precisa ser observada; não prometo ausência absoluta de sinais na pele.
Na retirada, a sensibilidade varia. Explico o que será feito e acompanho seu conforto, sem reduzir a experiência a “não dói nada”. A rede é temporária e seu momento de remoção faz parte do plano, não da decisão do paciente em casa.
Depois, mantenha somente os cuidados indicados. Produtos clareadores, massagens e tentativas de remover crostas antes da hora podem não ser adequados à fase de cicatrização.
Na minha prática, a rede pode integrar um plano sem drenos. Mas se as condições da operação ou a evolução exigirem outra medida, o cuidado deve se adaptar. A presença de dreno não significa, por si só, que a cirurgia seja inferior.
Pressão arterial, medicamentos, controle do sangramento e observação pós-operatória continuam importantes. Ter a rede não autoriza antecipar esforço, interromper remédios ou ignorar um aumento de volume.
A segurança resulta de um conjunto de decisões. Prefiro que você entenda esse conjunto a associar tranquilidade a um único dispositivo.
Inchaço e manchas roxas podem fazer parte da recuperação. Contudo, volume que cresce rapidamente, diferença súbita importante entre os lados, dor ou pressão em aumento e sangramento relevante precisam de avaliação imediata, mesmo com a rede.
Se houver dificuldade para respirar, engolir ou alteração súbita da visão, procure atendimento de emergência. Não aguarde o retorno agendado nem dependa apenas de mensagens para decidir.
Minha equipe informa os canais de contato e o roteiro de acompanhamento. A rede é um recurso dos primeiros dias; o cuidado continua depois que ela é retirada.
Depois da retirada, observo a cicatrização, a acomodação dos tecidos e o contorno. Outros pontos têm sua própria programação. As fotografias e revisões ao longo dos meses ajudam a avaliar a evolução com mais consistência do que imagens isoladas muito precoces.
Para quem vem de fora, a estadia precisa comportar esses cuidados. Não marque a volta apenas pela data de remoção da rede; organizamos a liberação e os retornos conforme a cirurgia e o exame.
Na página Jornada, você encontra quem participa de cada etapa e como mantenho o acompanhamento. Conhecer esse percurso antes de operar pode tornar a recuperação mais compreensível e organizada.
Não permanece como implante de sustentação. É um conjunto temporário de suturas externas e transfixantes, retirado pela equipe no período programado.
Não. Estudos iniciais relataram ausência de hematoma em suas séries, mas isso não representa risco zero. Um ensaio posterior registrou hematoma no grupo com rede.
Os trabalhos iniciais são de André Auersvald e Luiz Augusto Auersvald; o artigo brasileiro de 2012 também tem Maria de Lourdes Pessole Biondo-Simões como coautora.
Na rotina apresentada neste site, o retorno para retirada é no dia seguinte à alta, com Amanda. A data concreta é confirmada pela equipe conforme a cirurgia e a evolução.
Não prometo isso. O ensaio randomizado de 2025 não encontrou diferença significativa de edema entre rede e dreno. A recuperação depende do procedimento completo.
Não. A rede auxilia a aproximação temporária dos tecidos no pós-operatório do lifting. Fios usados para tração estética têm outra finalidade e não substituem esse cuidado.
Traga suas dúvidas sobre os primeiros dias. Vou explicar por que considero a rede no seu planejamento e como organizamos sua retirada e acompanhamento.
As fontes abaixo fundamentam as informações gerais desta página. Quando descrevo meu atendimento, apresento a rotina da minha equipe; a orientação para sua cirurgia será individual.