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Dentista pode fazer blefaroplastia?

Dentista pode fazer blefaroplastia? Explico as regras no Brasil, a especialidade CEOF e os cuidados para escolher quem vai operar suas pálpebras.

Temas: Blefaroplastia

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Dentista pode fazer blefaroplastia? Retrato ilustrativo com destaque para o olhar e as pálpebras

Dentista pode fazer blefaroplastia no Brasil?

Eu não responderia apenas “sim” ou “não”. A Resolução CFO 286/2026 prevê blefaroplastia para o especialista registrado em Cirurgia Estética Orofacial, dentro de requisitos próprios. Isso não autoriza qualquer dentista nem transforma um curso de harmonização em habilitação para operar pálpebras. Essas normas estão sendo questionadas judicialmente. Para decidir com quem operar, recomendo conferir a situação profissional, a formação específica, a experiência e a estrutura de atendimento.

Quando alguém me faz essa pergunta, geralmente quer saber algo além da regra: “Estou escolhendo uma pessoa preparada para cuidar dos meus olhos?”. Acho essa preocupação muito pertinente. Uma pálpebra tem poucos milímetros de espessura, mas participa da proteção da visão. O tamanho da incisão não resume a responsabilidade da cirurgia.

Ao longo dos meus 22 anos de experiência, aprendi a olhar para a região dos olhos considerando aparência e função juntas. Meu objetivo não é apenas retirar uma dobra de pele. É planejar uma mudança que respeite o fechamento dos olhos, a posição das pálpebras e as características do rosto.

O que dizem as normas sobre dentista fazer blefaroplastia?

Na revisão deste artigo, em 29 de outubro de 2026, consultei as normas oficiais. A Resolução CFO 285/2026 mantém uma vedação geral a determinados procedimentos e estabelece exceções. A Resolução 286/2026 inclui expressamente blefaroplastia superior e inferior nas competências do especialista em Cirurgia Estética Orofacial, a CEOF, com exigências de registro, formação e ambiente. [1]

Por isso, não considero correto usar apenas uma norma antiga para afirmar que existe proibição absoluta para todos os dentistas. Também não considero correto anunciar que qualquer dentista pode realizar essa cirurgia. O Conselho Regional de Odontologia de Rondônia esclarece que as competências de CEOF, Harmonização Orofacial e Cirurgia Bucomaxilofacial não devem ser ampliadas automaticamente por semelhança entre as áreas. [2]

A discussão sobre dentista poder fazer blefaroplastia já terminou?

Não. Na ação 1036016-42.2026.4.01.3400, que questiona essas resoluções, a decisão de 24 de abril adiou a análise do pedido liminar para ouvir a parte contrária e o Ministério Público Federal. Na consulta pública feita em 29 de outubro, a movimentação mais recente era de 27 de agosto: processo concluso para decisão. Isso não representa julgamento definitivo favorável ou contrário à realização da cirurgia. [3]

Existe também o Projeto de Decreto Legislativo 177/2026, para sustar a Resolução 286. Na consulta, ele ainda estava em tramitação. Um projeto não equivale a uma suspensão já aprovada. Como o cenário pode mudar, recomendo confirmar a regra aplicável e eventuais decisões atuais antes de contratar o procedimento. [4]

Por que conhecer anatomia não basta para operar pálpebras?

Estudar anatomia é necessário, mas eu não usaria isso sozinho como prova de preparo cirúrgico. É preciso aprender a avaliar, indicar, operar, acompanhar e reconhecer quando algo não está evoluindo como deveria. Isso vale para qualquer profissional que se apresente como responsável pela cirurgia.

Na avaliação de blefaroplastia, observo não apenas a pele que parece sobrar. Preciso entender a posição das sobrancelhas, o apoio da pálpebra inferior, o fechamento dos olhos e as queixas oculares. Uma aparência de cansaço não significa que a solução seja retirar o máximo possível de pele.

Também quero saber se existem cirurgias anteriores, ressecamento, uso de lentes de contato ou acompanhamento oftalmológico. Conforme o caso, a avaliação do oftalmologista ajuda a esclarecer condições que precisam ser consideradas no planejamento. A escolha da técnica vem depois desse entendimento.

O que pode acontecer quando se retira pele demais?

Pálpebra inferior fora de posição

O ectrópio é a virada da borda palpebral para fora, geralmente na pálpebra inferior. Pode deixar a superfície ocular mais exposta. Retração é outra alteração: a pálpebra fica deslocada da posição habitual, sem necessariamente estar virada.

Dificuldade para fechar os olhos

Lagoftalmo é o fechamento incompleto. Pode acontecer, inclusive, após retirada excessiva de pele da pálpebra superior. Não chamo toda dificuldade de fechamento de “ectrópio superior”: os termos descrevem problemas diferentes.

O fechamento inadequado pode agravar ressecamento e irritação. A exposição da córnea, a parte transparente à frente do olho, pode causar lesões e, em situações graves, ulceração. Esses riscos mostram por que preservar tecido e função importa tanto quanto o resultado estético. [5] [6]

Cicatrizes aparentes, assimetrias e mudanças no formato do olhar também merecem conversa antes da operação. Uma complicação, isoladamente, não prova erro ou imperícia: diferentes fatores podem contribuir, mesmo com cuidados adequados. O que eu espero de quem opera é preparo para prevenir o que for possível, reconhecer o problema e oferecer o encaminhamento necessário.

Como eu orientaria a escolha do profissional?

Eu começaria por perguntas objetivas, sem depender apenas de fotos ou do número de seguidores. Ao procurar um médico que se anuncia como cirurgião plástico, confira o CRM e o Registro de Qualificação de Especialista, o RQE. Ao avaliar uma proposta feita por dentista, confira o CRO e o registro específico alegado, além do alcance atual dessa habilitação.

Pergunte quem fará a cirurgia, qual é a formação em cirurgia das pálpebras e como são acompanhadas as intercorrências. Peça que expliquem por que aquela técnica foi indicada para você. Um título profissional não substitui experiência específica; uma apresentação convincente também não substitui um registro verificável.

Na minha opinião, uma boa consulta deixa espaço para dúvidas e para a possibilidade de não operar. Se a explicação se limita a “é só uma pele” ou promete ausência de riscos, falta uma parte importante da conversa. Prefiro que o paciente entenda os limites antes de tomar a decisão.

O local e a equipe fazem diferença?

Sim. Eu considero necessário verificar se o ambiente é adequado ao procedimento e à anestesia planejada, se há licenciamento e quais recursos estão disponíveis para uma emergência. Não é o nome “consultório” ou “hospital”, sozinho, que responde todas essas questões.

Reações alérgicas graves e emergências cardiorrespiratórias exigem reconhecimento rápido, equipamentos, protocolos e equipe treinada. Não seria correto afirmar que dentistas não recebem formação em emergências. A própria Resolução CFO 286 prevê recursos de monitorização e atendimento emergencial. A pergunta útil é como esse preparo se aplica ao atendimento concreto proposto para você.

O que eu priorizo nessa decisão?

Eu priorizo uma avaliação cuidadosa e a preservação da função ocular. Não usaria a disputa entre profissões como substituto para explicar a cirurgia. Você merece saber quem vai cuidar de você, quais mudanças são possíveis, quais riscos existem e a quem recorrer depois.

Se quiser discutir seu caso na consulta comigo, posso avaliar suas pálpebras e explicar minha indicação. Se já houve cirurgia e surgiu piora da visão ou dor importante, procure atendimento médico de urgência imediatamente. Dificuldade de fechar os olhos também precisa de avaliação rápida. Uma dúvida sobre habilitação não deve atrasar o cuidado.

Este artigo também está disponível em inglês.

Fontes e responsabilidade editorial

  1. Conselho Federal de Odontologia. Resolução 285/2026 e Resolução 286/2026. Normas administrativas; distinguir seu texto de decisões judiciais sobre sua validade.
  2. CRO-RO. Competências de CEOF, HOF e Cirurgia Bucomaxilofacial, 24/09/2026.
  3. Justiça Federal, SJDF, 3ª Vara Federal Cível. Consulta pública, processo 1036016-42.2026.4.01.3400. Decisão de 24/04/2026, documento 2252314278; andamento consultado em 29/10/2026.
  4. Congresso Nacional. PDL 177/2026. Situação consultada em 29/10/2026.
  5. Management of Cosmetic Eyelid Surgery Complications. Revisão clínica sobre avaliação, alterações palpebrais e manejo de complicações.
  6. MedlinePlus. Ectropion. Informação sobre posição palpebral e proteção da córnea.

Revisão das fontes em 29 de outubro de 2026. Informações normativas referem-se ao Brasil nessa data e não substituem verificação individual atualizada.

Dr. Walter Zamarian Jr. — CRM-PR 17.388 | RQE 15.688.

Imagem ilustrativa; não representa paciente ou resultado cirúrgico.